Com 158.421 votos e 16,93% dos votos válidos de Rondônia, deputado foi o mais votado do estado e alcançou a terceira maior votação proporcional do Brasil; afinal, o que explica o resultado?
Lúcio Mosquini terminou as eleições de 2026 com um número que chama atenção muito além das fronteiras de Rondônia.
Foram 158.421 votos, suficientes para fazer dele o deputado federal mais votado do estado e garantir a reeleição para um novo mandato na Câmara dos Deputados. Em termos proporcionais, os votos representaram 16,93% dos votos válidos para deputado federal em Rondônia, colocando Mosquini na terceira posição nacional nesse critério, atrás apenas de Nikolas Ferreira, de Minas Gerais, e Lucas Polese, do Espírito Santo. Rondônia Dinâmica
Mas existe uma pergunta por trás do número:
o resultado veio do trabalho construído ao longo dos anos ou de uma eleição impulsionada pela onda conservadora, pelo número 2222 e pela força nacional de nomes como Nikolas Ferreira?
Talvez a resposta esteja em uma combinação de fatores.
Um número que não apareceu do nada
A história política de Mosquini em Rondônia começou antes da votação de 2026.
Engenheiro eletricista, ele chegou à Câmara dos Deputados pela primeira vez em 2015 e foi reeleito para os mandatos seguintes. A própria Câmara registra mandatos consecutivos de 2015-2019, 2019-2023 e 2023-2027. Com a eleição de 2026, ele inicia agora o quarto período consecutivo na Câmara — portanto, não é exatamente o terceiro mandato, mas o quarto mandato federal. Portal da Câmara dos Deputados
Antes de Brasília, Mosquini também ocupou funções ligadas à administração pública e ao setor produtivo. Foi diretor-geral do Departamento Estadual de Estradas e Rodagem de Rondônia entre 2011 e 2014 e teve atuação anterior em entidades ligadas ao setor empresarial e rural. Portal da Câmara dos Deputados
É uma trajetória diferente daquela de candidatos que aparecem apenas durante o período eleitoral.
E talvez seja justamente aí que esteja uma parte da explicação.
O agro como principal bandeira
Ao longo dos mandatos, a agricultura passou a ocupar um espaço importante na atuação parlamentar de Mosquini.
A Câmara registra sua participação na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural em diferentes legislaturas, inclusive no período mais recente. Portal da Câmara dos Deputados
Em Rondônia, essa atuação também aparece na destinação de recursos para equipamentos agrícolas.
Em 2025, por exemplo, foram anunciados mais de 650 implementos agrícolas, adquiridos com recursos superiores a R$ 24 milhões, destinados a associações rurais, agricultura familiar e prefeituras de todos os municípios do estado. Rondônia Dinâmica
Já em 2026, equipamentos viabilizados por emendas de Mosquini foram entregues a associações rurais em municípios como Campo Novo de Rondônia e Guajará-Mirim. Prefeitura Campo Novo
Isso não significa, por si só, que os votos vieram exclusivamente desse trabalho.
Mas mostra que existe uma relação concreta entre uma das principais bandeiras do parlamentar e ações realizadas ao longo do mandato.
E então veio o 2222
Na eleição de 2026, Mosquini disputou pelo PL com o número 2222.
O mesmo número foi utilizado por Nikolas Ferreira em Minas Gerais.
E aqui surge uma coincidência eleitoral difícil de ignorar.
Nikolas não apenas utilizou o 2222: ele terminou 2026 como o deputado federal mais votado da história do país, com mais de 3,1 milhões de votos. Portal da Câmara dos Deputados
O número também apareceu em outros candidatos do PL pelo país.
Isso abre uma questão interessante para analisar o comportamento do eleitor:
até que ponto o número do candidato influencia uma eleição?
Não existe, nos dados disponíveis, uma pesquisa que permita dizer quantos eleitores escolheram Mosquini especificamente por causa do 2222.
Mas há relatos que ajudam a compreender como o eleitor pode ter se comportado.
Durante a campanha, apareceram depoimentos de eleitores dizendo algo semelhante a:
“Vou apertar o 2 e segurar. O que tiver lá, eu confirmo.”
O relato é interessante, mas precisa ser tratado pelo que é: um depoimento individual, não uma amostra científica do eleitorado.
Transformá-lo em explicação para os 158 mil votos seria ir além das evidências.
A força de Nikolas também chegou a Rondônia?
Outro elemento que merece ser observado é a influência nacional do bolsonarismo e de Nikolas Ferreira sobre candidaturas do PL nos estados.
Nikolas terminou a eleição de 2026 com 3.119.314 votos e teve atuação nacional na promoção de candidatos aliados, ajudando a formar uma bancada conservadora em diferentes estados. UOL Notícias
Isso faz surgir outra hipótese:
parte da votação de Mosquini pode ter sido impulsionada pelo ambiente político nacional?
É possível levantar a pergunta.
Mas novamente não é possível medir, apenas olhando para o resultado final, quanto veio da identificação do eleitor com Bolsonaro, quanto veio do PL, quanto veio de Nikolas, quanto veio do número 2222 e quanto veio da própria trajetória de Mosquini.
O que a urna mostra é o resultado final.
Não mostra automaticamente a motivação individual de cada eleitor.
O tamanho da votação chama atenção
Existe, porém, um dado que ajuda a dimensionar o fenômeno.
Mosquini recebeu 158.421 votos, o equivalente a 16,93% dos votos válidos para deputado federal em Rondônia. Rondoniagora
Foi mais do que o segundo, terceiro e quarto colocados somados, segundo levantamento baseado nos dados do TSE. ROLNEWS
Em alguns municípios, a concentração foi ainda mais expressiva.
Em Jaru, por exemplo, Mosquini recebeu 18.184 votos, correspondentes a 60,01% dos votos válidos para deputado federal no município. Em Pimenta Bueno, foram 6.187 votos, ou 30,84%. Rondoniagora
Esses números tornam difícil explicar toda a votação apenas por uma onda nacional.
Há uma força eleitoral local evidente.
Trabalho ou número?
É justamente aqui que a eleição de Lúcio Mosquini deixa uma questão interessante para Rondônia.
De um lado, existe uma trajetória de mais de uma década na política federal, participação em comissões, atuação ligada à agricultura e distribuição de recursos para equipamentos e estruturas voltadas ao setor produtivo. Portal da Câmara dos Deputados
Do outro, existe uma eleição nacionalmente marcada pelo crescimento de candidatos ligados ao campo conservador e pelo desempenho extraordinário de Nikolas Ferreira e outros nomes do PL. UOL Notícias
E existe ainda o fator eleitoral do 2222, compartilhado por Mosquini e Nikolas.
Qual desses fatores pesou mais?
A resposta provavelmente não está em apenas um deles.
Uma votação dessa dimensão pode ser resultado de reconhecimento do trabalho, identidade política, força partidária, estrutura eleitoral, identificação com o setor produtivo, influência nacional e comportamento estratégico do eleitor.
O que não podemos fazer é escolher uma dessas explicações e apresentá-la como verdade sem dados que comprovem a relação.
Uma lição das urnas de Rondônia
A eleição de Mosquini deixa uma experiência importante para observar os próximos capítulos da política de Rondônia.
O eleitor não vota necessariamente por uma única razão.
Um candidato pode carregar uma história local e, ao mesmo tempo, se beneficiar de uma onda nacional.
Pode ter uma bandeira própria e estar inserido em uma estrutura partidária forte.
Pode ter trabalho acumulado e também contar com uma identidade eleitoral fácil de reconhecer.
No caso de Mosquini, a urna mostrou uma votação expressiva. A explicação completa para essa votação ainda precisa ser construída a partir dos dados e dos próximos episódios da política de Rondônia.
Por enquanto, uma coisa é objetiva:
158.421 eleitores escolheram Lúcio Mosquini em 2026.
O tamanho desse número já é um fato.
Entender por que eles escolheram é a próxima história.


