Marcos Rogério eleito: quem ganha força e quem perde espaço na política de Rondônia?

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Vitória no primeiro turno, duas vagas no Senado e a maior bancada da Assembleia Legislativa colocam o PL no centro do poder em Rondônia. Mas o resultado também deixa derrotados e muda o equilíbrio político do estado.

Marcos Rogério não apenas venceu a eleição para o Governo de Rondônia. O resultado de 2026 redesenhou o mapa político do estado.

Com 537.370 votos, 56,86% dos votos válidos, o candidato do PL foi eleito governador ainda no primeiro turno. Adailton Furia ficou em segundo, com 20,06%, e Hildon Chaves terminou em terceiro, com 14,22%. Foi a segunda tentativa de Marcos Rogério pelo Governo, depois da derrota no segundo turno de 2022. Tribunal Superior Eleitoral

Mas a dimensão da vitória aparece melhor quando se olha para além do Palácio Rio Madeira.

O PL sai maior das urnas

A eleição consolidou uma concentração de forças em torno do PL.

Além de eleger Marcos Rogério para o governo, o partido conquistou as duas vagas ao Senado em disputa, com Fernando Máximo e Bruno Scheid. Na Câmara Federal, três dos oito eleitos por Rondônia também são do PL: Lúcio Mosquini, Coronel Chrisóstomo e Sofia Andrade. Rondônia Dinâmica

Na Assembleia Legislativa, o movimento se repete: o PL formará a maior bancada, com sete dos 24 deputados estaduais. CNN Brasil

É um cenário que dá ao governador eleito uma base política muito mais ampla do que apenas a vitória majoritária.

E há um detalhe importante: a força do partido não ficou restrita ao interior.

Porto Velho também entrou na conta

Um dos movimentos mais interessantes da eleição aconteceu na capital.

Marcos Rogério terminou à frente em Porto Velho, com 48,35% dos votos válidos na cidade. UOL Notícias

A participação do prefeito Léo Moraes na campanha também aparece nas análises locais como um dos fatores políticos relevantes para esse resultado. Segundo o Rondônia Dinâmica, Léo atuou diretamente na campanha de Marcos e também conseguiu eleger aliados para a Câmara Federal e para a Assembleia. Rondônia Dinâmica

Isso cria uma situação interessante para os próximos anos: Marcos Rogério chega ao governo com o PL fortalecido e com um aliado na prefeitura da capital que também ampliou seu próprio espaço político.

A relação entre os dois será, portanto, uma das histórias para acompanhar.

Quem perde espaço?

O primeiro nome que aparece é Hildon Chaves.

O ex-prefeito de Porto Velho terminou a disputa em terceiro lugar, com 134.355 votos, atrás de Marcos Rogério e Adailton Furia. O resultado é particularmente relevante porque Hildon já havia comandado a maior cidade do estado por dois mandatos e entrou na eleição como um nome conhecido do eleitorado. Rondônia Dinâmica

Outro nome que sai diferente do que entrou é Adailton Furia.

O ex-prefeito de Cacoal chegou a aparecer tecnicamente empatado com Marcos Rogério em pesquisas durante a campanha. Na pesquisa Quaest divulgada em agosto, por exemplo, Marcos tinha 24% e Fúria 21%, dentro da margem de erro de três pontos. Folha de S.Paulo

Na urna, entretanto, a diferença foi muito maior: 56,86% para Marcos contra 20,06% para Furia. Rondônia Dinâmica

Fúria não sai necessariamente da política — sua esposa, Joliane Furia, foi eleita deputada federal —, mas o resultado para o governo ficou muito distante do cenário de disputa apertada apresentado meses antes.

E a oposição?

O resultado também mostra a dificuldade de outras forças em construir uma alternativa competitiva ao PL.

Expedito Netto, do PT, terminou em quarto lugar, com 7,71% dos votos. Pedro Abib, do MDB, e Samuel Costa, do PSB, ficaram abaixo de 1%. Rondônia Dinâmica

Isso não significa que a política de oposição desapareceu de Rondônia. Mas os números mostram que, na disputa pelo governo em 2026, ela não conseguiu transformar presença eleitoral em uma candidatura competitiva.

Há ainda outro dado que ajuda a entender o cenário: o resultado estadual ocorreu dentro de uma eleição nacional em que candidatos aliados de Flávio Bolsonaro venceram governos em diversos estados. Marcos Rogério foi um deles. Folha de S.Paulo

Marcos ganhou apenas pela onda bolsonarista?

Essa é uma pergunta que merece cuidado.

O alinhamento de Marcos Rogério com o campo bolsonarista é conhecido e foi parte de sua estratégia eleitoral. A própria imprensa nacional descreveu sua candidatura como alinhada a Flávio Bolsonaro. Folha de S.Paulo

Mas reduzir os 537 mil votos apenas à onda nacional também seria simplificar a eleição.

Marcos já tinha trajetória política no estado, foi vereador, deputado federal e senador, e havia disputado o governo em 2022. Além disso, pesquisas mostraram que ele já liderava ou aparecia entre os principais candidatos antes da reta final. CNN Brasil

O resultado de 2026, portanto, parece ter reunido vários elementos: a força do PL, o ambiente político nacional, a identificação de parte do eleitorado com o bolsonarismo, a estrutura partidária e a própria trajetória de Marcos Rogério.

Sem uma pesquisa específica sobre a motivação do eleitor, não é possível atribuir o resultado a apenas um desses fatores.

O novo mapa político de Rondônia

As urnas deixaram uma fotografia clara.

Marcos Rogério ganhou o governo. O PL ganhou as duas vagas ao Senado e formou a maior bancada da Assembleia. Léo Moraes ampliou seu espaço político na capital.

Do outro lado, Hildon Chaves terminou em terceiro na disputa pelo governo, Adailton Fúria ficou distante da vitória que algumas pesquisas chegaram a apontar como possível, e os partidos de esquerda não conseguiram disputar efetivamente o comando do estado. Rondônia Dinâmica

Mas eleição não termina na apuração.

Agora começa outra fase: como Marcos Rogério vai administrar uma força política tão concentrada?

E, principalmente, quem será capaz de transformar os resultados de 2026 em espaço político para 2028 e 2030?

A resposta ainda está por vir.